A direção é do querido Sérgio Ferrara e minha contribuição no preparo vocal!Até lá!
Beijos,
Alessandra
A direção é do querido Sérgio Ferrara e minha contribuição no preparo vocal!Por ano, os professores da educação básica do país faltam cinco dias às aulas, apenas por causa de problemas na voz. Nas demais profissões, a média de ausência não chega a um dia.
A conclusão está em um levantamento nacional, com 3.265 pessoas, feito pelo Centro de Estudos da Voz, pelo Sinpro-SP (sindicato dos professores da rede particular) e pela Universidade de Utah (EUA). Os dados consideram a rede pública e a privada. Também foram ouvidos profissionais fora do magistério.
Segundo as autoras da pesquisa, apesar de a docência naturalmente exigir mais da voz do que a maioria das atividades, a diferença está muito acentuada --e poderia diminuir, com medidas tanto dos professores quanto dos colégios.
O representante das escolas privadas admite o problema. "Os professores entram em licença e, por isso, precisamos contratar outros. É um transtorno", afirma José Augusto de Mattos Lourenço, presidente da Fenep (federação das escolas particulares). Ele diz, porém, que os colégios têm procurado atenuar o problema.
"Não dá mais para adiar ações, tanto por parte da rede privada quanto dos governos", diz a coordenadora do estudo, Mara Behlau. Segundo ela, é a primeira pesquisa nacional quantitativa sobre o tema.
Entre as medidas, Behlau sugere a aquisição de microfones para os professores e melhorias acústicas das salas de aula.
"O gasto com contratações deve superar o de adequações física das escolas. Sem contar a frustração do professor de não conseguir exercer sua profissão", afirma.
Sem voz
Com apenas quatro anos no magistério, Daniela Faustino de Oliveira, 23, diz já sentir desgaste. "Vivo sem voz ao final do dia. As salas são numerosas e não têm boa ventilação. Por isso, as janelas ficam abertas, o que aumenta o barulho. É difícil competir", afirma Daniela, que leciona em escola particular da zona leste de São Paulo.
Algumas vezes, ela diz que muda a programação da aula porque está sem voz. Em vez de explicar oralmente, passa todo o conteúdo na lousa e só tira algumas dúvidas.
"A situação em que o professor precisa mudar sua aula apareceu muito nas entrevistas", afirma a fonoaudióloga Fabiana Zambon, uma das autoras do levantamento. "É comum a aula ser trocada por vídeo ou seminário. Ou seja, mesmo que não falte, ele perde rendimento", diz.
Zambon diz que uma das dificuldades é que os professores têm pouco conhecimento para diminuir o problema. Algumas das sugestões são beber água durante as aulas e não falar escrevendo na lousa (o volume precisa ser mais alto, e o pó do giz vai para a garganta).
Os problemas mais citados pelos professores na pesquisa foram garganta seca (45% disseram ter), rouquidão (41,2%) e cansaço vocal (36,9%). No restante da população, os porcentagens foram 21,4%, 14,8% e 11,7%, respectivamente.
Dicas para os professores

Ao ter contato com a obra da Linklater, com sua maneira descontraída de escrever sobre a voz, tive o desejo de traduzir parte de seu material e de levar ao conhecimento dos meus alunos de Artes Cênicas e Música. Na verdade, acredito que o que ela escreve é útil para qualquer profissional da voz ou comunicador. Ela procura inter-relacionar muitos dos aspectos que impedem que a voz funcione livremente. Parte de um capítulo chega, então, de maneira adaptada ao site do Vocalis para que você, internauta, possa apreciar o que escreve essa autora americana.
Viviane Barrichelo
Fonoaudióloga
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Se os músculos da respiração falham em fornecer o combustível de ar às pregas vocais, mas a necessidade de produzir a voz para algum propósito permanece, então um pequeno fio de ar é encontrado (apenas para ativar a vibração), enquanto os outros músculos da garganta, mandíbula, lábios e língua trabalham duas vezes mais para compensar a falta do ar. O tom resultante é fino e a mensagem carregada não é clara. A voz não pode trabalhar se sua energia básica não for o ar. Enquanto a respiração não for livre, a voz será dependente das compensações realizadas pelos músculos da garganta e boca. Quando esses músculos tentam conduzir sentimentos fortes, tais resultados podem ocorrer: eles encontram um modo sadio e musical para descrever tal emoção; dirigem o som em monotom; ou se contraem, tencionam, empurram e apertam tão fortemente que causam atrito entre as pregas vocais. Dessa maneira, as pregas vocais tornam-se inflamadas, perdem elasticidade, são incapazes de produzir vibrações regulares e, finalmente, lesões são criadas conforme as pregas vibram sem a lubrificação do ar.
(...)
Citando o aspecto de ressonância, se a garganta é tencionada com esforço, ela constringe o canal por onde o som viaja. Muito comumente, essa constrição impede que as vibrações do som trafeguem livremente até as caixas de ressonância mais superiores, restringindo a amplificação dos ressoadores médios e superiores. Isto pode resultar num leve, agudo e estridente tom. Ao mesmo tempo, tensão na garganta, juntamente com a inconsciente necessidade de produzir um som sob controle, pode fazer com que o som só ressoe nas cavidades inferiores e um rico e profundo monotom, que não encontra suavidade, seja criado. Se o palato mole e a parte posterior da língua se juntarem ao batalhão na substituição da respiração, acabam dirigindo o som para o nariz ao invés de permitirem a livre passagem pela boca. O nariz é poderoso, dominador e nada sutil como ressoador. Se a voz concentra-se no nariz, facilmente ela é ouvida, mas o que se ouve pode se mostrar difícil de ser entendido. As nuances são queimadas e a variabilidade do pensamento pode não encontrar livre espaço na variedade de qualidades ressonantais. O conteúdo é distorcido por apenas uma forma de ressonância disponível.
O passo final da produção da voz está na articulação – lábios e língua. O que é certo é que até que a língua possa relaxar enquanto um som básico é formado, ela não pode desenvolver sua função natural que é a modelagem do som. A língua é ligada à laringe (através do osso hióide) e a laringe comunica-se diretamente com o músculo diafragma através da traquéia. Tensão em uma das três áreas causa tensão nas outras duas. Além disso, enquanto há tensão na língua, ela articulará com mais esforço do que o necessário, e devido a isso diminuirá sua sensibilidade para responder aos impulsos motores vindo do córtex cerebral. (...)
Os lábios constituem parte do complexo facial que responde a mensagens inibitórias da mente, formando uma cortina sobre a janela da face. A liberdade do lábio superior é essencial para a articulação viva. A responsabilidade pela articulação deve ser igualmente dividida entre os lábios superior e inferior. Se o superior é rígido, o inferior realizará 85% do trabalho e provavelmente recrute a mandíbula como suporte extra. A mandíbula é mais pesada se comparada aos lábios, e a articulação não pode ser econômica em tais situações. (...)Sabemos que a saúde da voz garante a longevidade do seu uso e o falar bem também facilita a aprendizagem dos alunos.
Todo professor precisa: